Terça-feira, 22 de Novembro de 2011

VERSOS COM METÁFORAS

 

Curvo-me na prancha que afugenta os anos-luz

se tardas, tarda o destino…

Sem ti, mastro, e eu, vela, só barlavento…

Não sei velejar.

Tropeço o vento

estatelo-me no sequeiro…

Que faço com o horizonte?

Desfraldo a vela

liberto a alma…

Que faço com a tangerina?

Inocento o tempo…

Sequei as lágrimas na diagonal

com versos de verde esperança…

Engrosso a multidão de sonhadores…

Busco-te mirante

em versos com metáforas, envergonhados…

Vem

debicar meus lábios

com beijos de sol…

Não inocentes as mãos…

Rasga convenções

inventa gestos

acende a brasa

dá-me a vereda, o trilho para chegar ao cume…

Sê maestro da orquestra e sequestra

dança-me nas letras de bichos de seda

solta-me o rouxinol

Desata o atilho e desfralda a ternura…

Define meu rumo

não sei navegar!

Carda o coração

de seda e veludo

e descalça, seguir-te-ei…

Deixa-me tocar teu peito

orlar o sereno azul da lua

na prata que furta ao mar…

Deixa que a noite amadrinhe o amor…

 

Edite Gil

(Registado no I.G.A.C.)

publicado por Edite Gil às 17:19
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A ALMA HABITUA-SE

 

perdida no nevoeiro

a dormência da bruma já nem incomoda

a alma habitua-se

eterniza-se, secretamente

a rotunda das estações…

acarinha-se a Primavera

a volúpia do Verão

o másculo peito do Outono

o bafio do Inverno…

já nem incomoda, a dormência da bruma

a busca que transpira em cada verso

giram, tímidas, as letras

do verbo sonhar…

rola o chapéu para os olhos

onde esconde a nudez…

a pele nua, feita de espuma

fundindo ondas…

a dormência da bruma…

já nem incomoda

ser musgo de muro ancião…

 

Edite Gil

(Registado no I.G.A.C.)

publicado por Edite Gil às 17:17
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ORLAR DE CINTURA

 

Invento a vida

Reinvento a vida

sem abraços servis que ladeiam a cintura…

Ser princesa em reino de segunda classe…

Sonhar

o perder de bocas sedentas no encontro de lábios

inquieta língua…

O castelo

sincero como o papagaio do rei…

O príncipe

é montada de cavalo branco

tal bola no roseiral…

Intransigente jardim de rosas

onde a sintonia dos corpos

é dona do alvorecer…

O sal dissolve-se na água

onde, em maré de feminino

se decompõe o veludo do chocolate

dissociando cacau e açúcar…

É proibida a doçura ser dona da madrugada!

Viajante em esfera de tortuoso aço

esmaga e engasga em colo de felino

predador…

Pré da dor…

O príncipe, de corda ao pescoço,

oculta-se em brilhante plumagem…

À princesa anã

não é permitida aproximação

ela cai do cavalo,

branca e pálida

esquálida

sedenta de vida…

 

Edite Gil

(Registado no I.G.A.C.)

publicado por Edite Gil às 17:15
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DÚVIDAS

 

Não podem ser assumidas dúvidas

dúvidas que espreitam

e nuas, sedutoras, ensandecem…

Dúvidas do sol e da lua

que com a quietude de sua beleza

iludem os tolos!

Duvidas do mar e do sorrir

que ilude a tristeza com o olhar

como se o banho de mar

infundisse esperança…

Praia extrema do inferno

que enfuna as velas de fogo

em que as sereias e seu canto

abandonam coração na vítrea areia.

Duvidar da dúvida que duvida da vida

e tece teias que enleia

e baralha

e confunde os afogados…

Não podem ser assumidas dúvidas

aparecem

permanecem

ensandecem…

O espelhar da ausência

na essência da inocência

é uma sapiência…

 

Edite Gil

(Registado no I.G.A.C.)

publicado por Edite Gil às 17:12
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